domingo, 2 de novembro de 2008

Dona Comunicação

Encontrei esse texto entre outros da época do ensino fundamental... algumas coisas nunca mudam...

" Otávio, o caixa, por certo nunca ligara para problemas de comunicação. Falava... e dizia. Pronto. O Interlocutor que escutasse e entendesse.


Ignorava, talvez, que a cada um universo de ouvintes corresponde linguajar específico, um repertório.

Palavras com “isótopo e fissão” só costumam ser inteligíveis entre os iniciados em Física Nuclear.

Expressão como “Malagueta diz que vai apagar o macaco” pode ser corriqueira entre policiais e malandros, mas para outros mortais carece de tradução “Malagueta diz que vai matar o policial

Otávio não atentava para isso. E se julgava, decerto, possuidor de comunicação universal, acessível a qualquer repertório. Falava e dizia. Quem ouvisse que escutasse.

Assim quando Terezinha lhe apresentou o cheque, ele nem imaginou que a cliente talvez não entendesse o idioma bancário e falou:

- Por favor, moça. Seu cheque é nominal a Terezinha Gomide. Precisa de endosso.

Terezinha escutou, mas não ouviu. Nominal? Endosso? Endosso tinha sabor de açúcar. Mas não, era possível, não tinha nada a ver.

- Desculpe, seu Otávio. Não entendi.

De novo o caixa falou e disse:

- Simples, coloque sua firma aqui no verso.

Ainda sem ouvir, a cliente espichou-lhe o olhar interrogante. Verso? Firma?

Que diabos. Antes “nominal”. Agora “verso”, “endosso” e também “Firma”. Ora, eu não sou sócia de nada! Nem poeta! Terezinha, atônita, achou de desperguntar:

- Perdão, seu Otávio. Continuo não compreendendo.

Deu-se, por fim, o estalo. O caixa sentiu os cifrões da própria língua. Pensou no repertório de Terezinha e tratou de adivinhá-lo. Fácil, pensou. Com um sorriso de psicologice, foi virando o cheque.

E apontou, jeito cúmplice:

- Coloque aqui seu nome. Assim... como você faz no final de carta pro seu namorado.

Terezinha iluminou-se. Decidida, pegou firme na caneta e lascou no verso do cheque:

“Com todo amor, um grande beijo. Terezinha.”

Diante daquela Terezinha sorridente, Otávio, o caixa foi apresentado à Dona Comunicação.

Sentiu naqueles olhos brilhantes que há repertórios e repertórios.

E que falar nem sempre é dizer."


(Nota: Não encontrei o autor. )

Uma semana bem COMUNICATIVA para todos

Abraços

6 comentários:

Rodrigo Piva disse...

Lindo texto, Maria!
Desejo uma semana bem comunicativa pra ti! :-)

Beijo

Daniela Figueiredo disse...

Maria:
Um texto bonito em que mostra que a simplicidade é a principal característica da comunicação universal, não tem erro. Temos que nos "antenar" na hora de se comunicar, evitar palavras rebuscadas com quem certamente não irá entender. Um bom uso da comunicação evita distorções e confusões!
Adorei o teu perfil novo: "uma Maria que não vai com as outras".

Que bom que voltaste! Beijos e uma feliz e comunicativa semana! :)

Maria disse...

Dani

vc muito fofa como sempre, pois é mudei o perfil, que bom que gostou porque deixei bem a "minha cara"... ótima semana para vc também.

Abraços

-=|Åñä £ú¢¡ä|=- disse...

O Texto é realmente lindo e de uma delicadeza sem fim!

Bjs.

Luiz Caio disse...

Oi querida Amiga! Como vai?
Ainda bem que nos comunicamos de maneira compreensiva para o outro! Senão este "querida" tão amável, já poderia causar alguma confusão! rsrsr

TENHA UMA ÓTIMA SEMANA!
BEIJOS.

Guara disse...

Olá Maria!
Primeiramente glória ao teu nome. Também é o segundo nome da minha filha nr 02...em homenagem a todas as mulheres do mundo...deusas eternas a quem de devemos toda admiração e devoção, pois elas tem a centelha divina que os homens referenciam eternamente.Achei oportuno o texto. Estou trabalhando matéria a ser veinculada no Blog do Guara. Não fala pra ninguém...este vocabulário eu manjo. Foram mais de 20 anos interpretando o dialeto de quem chega no caixa.Curioso! entendemos quase tudo de internet, e não entendemos o que que dizer nosso semelhante!!!
Um grande abraço e sucesso sempre.